Arena Deodete Dias é palco para os sonhos dos quadrilheiros

O clima nos bastidores da Arena Deodete Dias é de euforia. Uma energia única se espalha no compasso da zabumba e nos passos de dança dos brincantes. Parece que o sentimento de competição se alinha ao de alegria ao estar presente naquele local. Nervosismo é claro que existe, é necessário para manter a disputa entre as quadrilhas, mas em alguns momentos a única coisa que passa na cabeça das pessoas é fazer bonito para a multidão que lota as arquibancadas.

Fruto de dezenas de ensaios, é no palco retangular da Arena que os sonhos de um ano inteiro viram realidade. A cada batida emitida pelos instrumentos, cada rima cantada e exaltada pelos gritos da plateia em êxtase, os sorrisos vão se espalhando na área destinada a competição. É zabumba, triângulo, acordeon, tudo junto formando uma sinfonia única entre música e o movimento dos quadrilheiros, que em um só ritmo, vão dando sentido e vida as estruturas montadas no meio do Corredor Cultural.

O São João ganha formas e cores a cada tema escolhido pelas quadrilhas que disputam os prêmios todas as noites, mantendo a tradição cultural da festa junina em Mossoró.

Rick Stepheson, noivo do Arraiá da Pimenta, de Ipanguaçu, trouxe como tema o “Nordeste Encantado” e conta que participa das quadrilhas há 12 anos, ”é muito gratificante fazer parte desse são joão, eu amo tudo isso”, disse. Expressa que empecilhos e dificuldades fizeram-se presentes para que chegassem em Mossoró, “tivemos que fazer pedágio para estar aqui, estamos bastante cansados, mas deu certo”, encerra.

Heloisa Araújo, noiva do Arraiá da Pimenta, que está no grupo há 5 anos, destaca que o grupo começou a ensaiar em outubro. A emoção de se apresentarem em Mossoró é enorme, e segundo ela é uma dos eventos mais esperados. “Tudo aqui está muito organizado, achei melhor do que no ginásio e a decoração está muito linda”, disse. Sobre a apresentação, ela demonstrou muito otimismo. “O que posso dizer é que dei o meu melhor, independente do resultado, eu gostei do trabalho que fizemos aqui”.

Erica Daiane, rainha do Arraiá Esplendor, de Assu, e Andra Lauany, princesa da Explosão Junina, depois de uma preparação de seis meses, afirmou que alegria de se apresentarem no Festival de Quadrilhas de Mossoró é enorme, principalmente, numa arena que lhes permitem sentirem o calor, estarem mais próximos e interagir melhor com o público.

O coreógrafo e figurinista da Explosão Junina, Roson Lima, conta que para a apresentação deste ano trouxe como tema: “Baú da Imaginação”, e a expectativa é de manter o título de atual campeã do festival. “São seis meses de trabalho! A gente pega pessoas pobres, pessoas carentes, tiramos das periferias e os transformamos em um sonho. É tanto que eles amam dançar quadrilha, então, a gente trabalha visando isso, é na quadrilha que a gente consegue tirar eles do caminho do mal e sempre fazer coisas do bem”, disse.

Presidente da quadrilha Padre Piná há 21 anos, Sebastião Junior preza muito a iniciativa do festival, que é o de manter viva a tradição da cultura nordestina, por parte das quadrilhas tradicionais. “Isso aqui é o símbolo do São João de Mossoró… A emoção é sem igual, quando você está nessa arena é como um toureiro entrando na arena da Espanha para tourear! A quadrilha quando entra aqui é com todo o fervor, sangue na pele”, encerra.

 

Jurados

 

O jurado Salvador Marcelo Raposo é responsável pelas categorias de coreografia, evolução e marcador. “As categorias de evolução estão até legais, mas o que ando percebendo é que a as quadrilhas estão perdendo muito do seu tradicional, estão sendo muito estilizadas, o que acaba perdendo a essência” diz ele. Já Alex Peteca, jurado responsável pelas categorias de casamento, repertório e tema, diz está havendo um progresso a cada ano. “A gente está conseguindo ver uma evolução ao decorrer dos anos, e uma evolução positiva”.

Plateia

Gisele Carla, manicure e que está na platéia, conta sua preferência pelo evento na Arena Deodete Dias: “Achei melhor as apresentações nesse local esse ano, porque temos mais contato com o público. Gostei bastante da apresentação do grupo Esplendor, mas estou ansiosa para a do grupo Explosão Junina, que é o da minha cidade”.

Cultura

Muito mais que uma simples dança, as quadrilhas tradicionais fazem parte dos nossos costumes e enaltecem a nossa cultura. É tradição mantida viva no coração dos quadrilheiros, encantando os olhares do público, que vibra a cada apresentação, e faz sorrir na esperança de que a festa pulse a cada movimento dos brincantes.

 

Texto: Amanda Veríssimo, Fernando Nícolas e Jorge Amâncio

Fotografia: Fernando Nícolas

Esta reportagem foi produzida por estudantes do curso de Comunicação Social da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), através do projeto Pauta Junina, coordenado pelo professor Esdras Marchezan.

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